Comemoração e A Nova Ordem Mundial de Harold Pinter

TEATRO DA TERRA acolhe os ARTISTAS UNIDOS

Ante – Estreia

Comemoração & A Nova Ordem Mundial  de Harold Pinter

Os Artistas Unidos voltam a Harold Pinter estreando em Portugal Comemoração, a última peça do Autor, a que juntam o breve sketch A Nova Ordem Mundial. Pois tudo se passa agora, neste mundo que esqueceu a paz.


COMEMORAÇÃO De Harold Pinter

Tradução José Maria Vieira Mendes Com Alexandra Viveiros, Américo Silva, António Simão, João Meireles, Pedro Carraca, Sílvia  Filipe, Sylvie Rocha, Tiago Matias, Vânia Rodrigues Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos  Encenação Jorge Silva Melo Assistência de encenação João Miguel Rodrigues e Alexandra Viveiros Co-produção Artistas Unidos/ CCB/ Teatro Municipal de Almada

artistasunidosARTISTASUNIDOS

 

A NOVA ORDEM MUNDIAL De Harold Pinter

Tradução de Paulo Eduardo Carvalho com Nelson Boggio, Rúben Gomes, João Delgado e Elmano Sancho Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo Assistência de encenação João Miguel Rodrigues e Alexandra Viveiros Co-produção Artistas Unidos/ CCB

T

COMEMORAÇÃO

EMPREGADO O pato é para quem?

LAMBERT O pato é para mim.

JULIE Não é nada.

LAMBERT Não é nada. Então é para quem?

JULIE Para mim.

E voltamos a Harold Pinter. Com a sua derradeira peça. Três casais jantam no restaurante mais caro da cidade. E inicia-se um diálogo que será uma teia complexa de temas mais terríveis. Uma autêntica guerra de palavras. Um mundo de dinheiro novo, ostentatório, o mundo do capitalismo mais feroz.

 

Comemoração - foto de Jorge Gonçalves

A NOVA ORDEM MUNDIAL

Dois soldados, um homem vendado, uma tortura. Para ensinar a democracia. Um skecth de Harold Pinter seco, duro, elíptico: estamos onde? Na América Latina torturando um teólogo da libertação? Em Abu Ghraib? Numa pequena sala, dois guardas discutem o que devem fazer à vítima que permanece sentada em silêncio e de olhos vendados à sua frente. A nova ordem mundial reduziu todos os dissidentes ou a individualidade a uma conformidade cega.

Os discursos que ouvimos indicam-nos aquilo que nós não ouvimos. É uma evasão necessária, uma cortina de fumo violenta, enganosa e sofredora ou apenas escarnecedora daquilo que mantém o outro no seu lugar certo. Quando um silêncio verdadeiro se abate ficamos apenas com o eco e mais perto da nudez. Uma das maneiras de se olhar para o discurso é a de se dizer que ele é um estratagema constante para escondermos a nudez.

Harold Pinter

Onde foi o corpo morto encontrado?

Quem encontrou o corpo morto?

Estava morto o corpo morto quando foi encontrado?

Como foi o corpo morto encontrado?

Harold Pinter


A Nova Ordem Mundial - foto de Jorge Gonçalves

“COMEMORAÇÃO & A NOVA ORDEM MUNDIAL

TEATRO CINEMA DE PONTE DE SOR

14 E 15 DE MAIO

21 H 30

5,00 €

Horário de Bilheteira | Sexta e Sábado – 17h às 21h20

Informações e Reservas | 96 771 05 98 / 242 292073  – 15h  às 18h

teatrodaterra@gmail.com

M/16


“Harold Pinter. Um universo de incertezas, contradições, mentiras, invenções, não-ditos, uma escrita sucinta, rarefeita. E um diabólico domínio da lingua que lhe permite, com quase nada, criar tensões. Numa segunda-metade do século XX dinamitada por tantas vanguardas, Pinter insistiu sempre no realismo presencial do teatro: um sofá é um sofá e ele gosta de quartos de três paredes. Os seus celebrados diálogos são coloquiais e muitas vezes anódinos. Mas um “bom dia” dito por uma personagem sua pode ser um jogo mortal e não uma fórmula de cortesia.

O seu ramo não é o da psicologia. Não temos passado para muitas personagens, nem motivação para os seus actos. Filho do “behaviourismo” dos “Assassinos” de Hemingway, O Serviço, um dos seus primeiros textos, é uma constatação. Ora, como é que um actor se pode limitar a constatar? Limitar-se a estar presente, sem as armadilhas das intenções profundas? (…)

Mais tarde, Pinter, começando um novo ciclo na sua obra, depois de em 1970 ter encenado no Mermaid Theatre de Londres uma peça de James Joyce, Exilados, peça então esquecida, debruçou-se sobre esta estrutura ibseniana e veio sobrepor ao teatro da surda ameaça com que as suas peças iniciais foram rotuladas, um teatro da memória, os intrincados torcidos e tremidos da memória de que são exemplo Paisagem e Há Tanto Tempo. Parece ter deixado de haver perigo ou o perigo está dentro de nós, num passado nunca lembrado mas sempre presente. A que também não é alheio o trabalho que fez com Joseph Losey ao tentar adaptar Proust ao cinema (que dará, em 2000, a adaptação cénica Remembrance Of Things Past).

Porque a sua escrita é viva, se move imparável numa tentativa cada vez mais acerada de abranger o mundo pantanoso, houve quem se surpreendesse com a clareza política de alguns dos seus textos dos anos 80/90 de que Um Para O Caminho é famoso exemplo. Mas esta clareza, esta economia, esta brutalidade rarefeita vinham de trás, de muito longe: e os pobres diabos ameaçados de O Serviço ou de Feliz Aniversário estavam no mesmo universo onde o poder é arbitrário. Só que agora quem entra em cena é o ameaçador, quem toma a palavra e vai até à boca de cena não é o ameaçado. E também Harold Pinter dá voz (e deu corpo ao representá-lo ele próprio) ao torturador…”

 

Jorge Silva Melo


“Finalmente, abandonando a acção e o diálogo naturalistas na fase seguinte do seu desenvolvimento, avançando para uma poesia cénica altamente comprimida, em que o que conta é a memória, o silêncio…”

 

Martin Esselin

 

 

 

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HAROLD PINTER nasceu em 1930. Começou por ser actor (com o nome David Baron) e em 1957 escreveu a sua primeira peça, The Room. Autor fundamental do teatro contemporâneo, encenou e representou algumas das suas mais de trinta peças, que foram traduzidas e encenadas por todo o mundo. Escreveu também para rádio, televisão e cinema, onde é difícil esquecer a colaboração com Joseph Losey. Recebeu diversos prémios e distinções: recentemente, o título de Companion of Honour da Rainha e o Nobel da Literatura. Os Artistas Unidos realizaram um ciclo com a obra de Harold Pinter durante as temporadas de 2001/2/3. Na ocasião, a editora Relógio d´Água publicou dois volumes com as peças mais importantes do autor. Morreu a 24 de Dezembro de 2008 em Londres.

Em 2001, os Artistas Unidos estrearam no Festival de Portalegre e no Espaço A Capital/ Teatro Paulo Claro a sua peça O Serviço. No ano de 2002, estrearam várias peças da sua autoria: O Amante (A Capital/ Teatro Paulo Claro); Um Para o Caminho (A Capital/ Teatro Paulo Claro); Cinza às Cinzas (A Capital Teatro Paulo Claro); Traições (CCB); Há Tanto Tempo (CCB / CAM – Acarte); A Colecção (CCB) e O Encarregado (Culturgest). Em 2003, a peça Victoria Station teve estreia no Teatro Taborda. Em 2005, os Artistas Unidos estrearam no Teatro Nacional D. Maria II o espectáculo Conferência de Imprensa e Outras Aldrabices, espectáculo de homenagem a Harold Pinter com textos da sua autoria e de autores como Arne Sierens, Antonio Onetti, Antonio Tarantino, Davide Enia, Duncan Mclean, Enda Walsh, Finn Iunker, Irmãos Presniakov, Jon Fosse, José Maria Vieira Mendes, Juan Mayorga, Letizia Russo, Marcos Barbosa, Miguel Castro Caldas, Spiro Scimone e Boris Vian.

 

Comemoração - foto de Jorge Gonçalves

 

Os textos estão editado em Teatro II de Harold Pinter (Relógio de Água)
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